Centro de Documentação

Biografias

Bento António Gonçalves

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Bento António Gonçalves

(Fiães do Rio, Montalegre, 02-03-1902 – Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 11-09-1942)

Bento António Gonçalves nasceu em Fiães do Rio, concelho de Montalegre. Veio cedo para Lisboa e começou a trabalhar em 1915 como torneiro de madeira e, depois, como torneiro mecânico, entrando no Arsenal do Alfeite em 1919. Foi no exercício dessa profissão que, entre 1922 e 1926, cumpriu o serviço militar nas Oficinas Gerais do Caminho-de-Ferro de Luanda, onde colaborou com o movimento sindical. De volta a Lisboa, teve papel destacado na reorganização do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha. Em 1928 tornou-se formalmente militante do Partido Comunista Português (PCP) e em abril de 1929 foi eleito Secretário-geral, liderando o processo de reorganização do partido. Reforçou e lançou entidades como o Socorro Vermelho, a Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP), os Grupos de Defesa Académica, a Liga contra a Guerra e o Fascismo, a Comissão Intersindical e a Organização Revolucionária da Armada (ORA). Bento Gonçalves procurou, ainda, imprimir uma via leninista e combater as tendências “anarquizantes” e “reviralhistas” no PCP, ao mesmo tempo que reforçava a combinação de formas de luta legais e ilegais, a ação do PCP nos Sindicatos Nacionais e o papel da propaganda e da doutrinação com o início da publicação de O Avante! em 1931.

Preso pela primeira vez a 29 de setembro de 1930 no Arsenal, foi enviado para o Forte de São Julião da Barra, perto de Lisboa, a 8 outubro, e daí seguiu para os Açores, ficando em regime de residência fixa na ilha do Pico. Da ilha açoriana foi transferido para as ilhas do Sal e do Fogo, em Cabo Verde, até que foi libertado pela amnistia de 1932. Meses depois passou à clandestinidade, exercendo atividade política em vários pontos do país, e teve um papel determinante na revolta de 18 de janeiro na Marinha Grande. A 11 de novembro de 1935, poucos meses depois de participar no VII Congresso da Internacional Comunista (IC) em Moscovo, foi detido em Lisboa e colocado na Prisão do Aljube, ficando momentaneamente comprometida a implementação das orientações da IC. A 8 de janeiro de 1936 foi transferido para a Fortaleza de Angra do Heroísmo, nos Açores. Julgado em Tribunal Militar, a 3 de agosto de 1936, foi condenado a seis anos de desterro, multa pecuniária e perda de direitos políticos por dez anos. Transferido a 23 de outubro de 1936 para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, aí permaneceu detido até à data da sua morte, em 1942, vítima de “febre biliosa hemoglobinúrica”. No Tarrafal escreveu, em papel de sacos de cimento, sobre a história do PCP e do movimento operário Palavras Necessárias e Duas Palavras. Com a morte do dirigente comunista Bento Gonçalves, dois anos após a morte do líder anarquista Mário Castelhano, eram, assim, decapitadas as lideranças dos dois principais grupos políticos a que estavam ligados os presos enviados para o Tarrafal.

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