Centro de Documentação

Biografias

Joaquim Lemos de Oliveira

Joaquim Lemos de Oliveira

(Fafe, 21-05-1908 – Porto, 14-02-1957)

Joaquim Lemos de Oliveira, barbeiro de profissão, conhecido como o “Repas”, nasceu em Fafe em 1908 e era filho de Emília de Lemos e de Joaquim de Oliveira. Terá aderido às Juventudes Comunistas em 1922, com 14 ou 15 anos. A militância no Partido Comunista Português (PCP) levou-o a ser preso por cinco vezes entre 1936 e 1957.

Em outubro de 1936 é, pela primeira vez, preso para averiguações e transferido para a Prisão de Peniche em agosto de 1937, sendo julgado e condenado a vinte meses de prisão, dos quais havia já cumprido duzentos e noventa e três dias quando foi restituído à liberdade, a 14 de junho de 1938. Durante esta prisão terá sido agredido pelo agente da polícia política Roquete, famoso ex-futebolista.

Será novamente preso em novembro de 1949 pela Guarda Nacional Republicana (GNR) por “crimes contra a segurança do Estado”. Restituído à liberdade em maio de 1950, é detido dias depois, em Fafe, pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para averiguações.

Julgado pelo 2º Juízo Criminal do Porto, em 10 de fevereiro de 1950, foi condenado a dois anos de prisão maior celular ou em alternativa a três anos de degredo e suspensão de todos os direitos políticos por quinze anos, sentença confirmada por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 26 de outubro de 1950.

É preso, pela quarta vez, em 15 de agosto de 1951, e terá ficado dois anos nos calabouços da PIDE no Porto, seguindo, depois, em 16 de junho de 1953, para a Prisão de Peniche, para cumprir um ano de medidas de segurança, sendo restituído à liberdade em junho de 1954.

Preso pela quinta e última vez em janeiro de 1957 em Fafe, para averiguações por crimes contra a segurança do Estado, recolhe à delegação da PIDE no Porto.

Viria a morrer a 14 de fevereiro de 1957 numa das celas da Subdiretoria da PIDE no Porto após bárbaras torturas, infligidas, entre outros, pelo próprio subdiretor Costa Pereira, e vários dias estátua e de privação do sono. O cadáver terá sido autopsiado secretamente e os resultados ocultados, tendo a PIDE procurado proibir o funeral que acabou por se realizar apesar do aparato policial, constituindo-se como um momento de grande indignação.

A morte, aos 48 anos, de Joaquim Lemos de Oliveira, que deixara quatro filhos, suscitou diversos protestos, tendo a mobilização e a campanha de denúncia do assassinato levado, em Viana do Castelo, à prisão e, depois, à morte de Manuel Fiúza Júnior, menos de um mês depois.

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