O Assalto ao Santa Maria

21 Janeiro 2021
Ilustração Portugueza, a assinalar o regresso do Paquete a Lisboa 

Henrique Galvão, acompanhado por elementos do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação, toma de assalto o paquete ‘Santa Maria’, que se encontrava então ao largo das Caraíbas, em mais uma viagem regular até Miami. A bordo estão mais de 600 passageiros, alguns norte-americanos. Nos EUA, John F. Kennedy tomara posse como Presidente há dois dias. Estava em marcha a “Operação Dulcineia”: o paquete foi desviado da sua rota, fazendo apenas uma paragem em Santa Lúcia, para deixar os feridos. Em Lisboa, Salazar pede ajuda aos aliados para ajudarem a localizar o paquete, alegando tratar-se de um ato de pirataria. Embarcações norte-americanas e britânicas lançam-se ao mar, em busca do navio.

Mas a atitude dos aliados muda depois do primeiro comunicado oficial vindo do ‘Santa Maria’: “Em nome da Junta Nacional Independente Libertação presidida General Humberto Delgado presidente também eleito República Portuguesa fraudulentamente privado seus direitos governo Salazar apresei ocupei com forças meu comando como primeira parte libertada do território nacional o navio “Santa Maria” depois breve combate pelas 1.45 a.m.” dirá Henrique Galvão num telegrama datado de 24 de Janeiro, o primeiro comunicado oficial, acrescentando que pedem “não só apoio todos os governos e povos verdadeiramente livres do mundo livre como também reconhecimento politico”, declarando abertas as hostilidades contra “governo tirânico Salazar”.

O ‘Santa Maria’ chama-se agora ‘Santa Liberdade’. É avistado no dia 25 de Janeiro e passa a ser sobrevoado regularmente, sem qualquer sinal de hostilidade. Kennedy dirá que é precisa alguma cautela, invocando o bem-estar dos passageiros. Os norte-americanos pedem que os reféns sejam libertados, sugerindo o Brasil como ponto de largada. Galvão faz um compasso de espera: no Brasil, não estavam ainda reunidas as condições políticas para que se sentisse seguro. Tal acontecerá apenas com a tomada de posse de Jânio Quadros que, numa mensagem enviada a 1 de Fevereiro, garante a Galvão o asilo político. No dia seguinte, o paquete atraca no Recife e os passageiros começaram a desembarcar. Chegava ao fim o sequestro do ‘Santa Maria’.

Durante esses dias, Portugal foi notícia no mundo. Na edição de 29 de Janeiro, o jornal britânico Observer publicou excertos do relatório de Galvão, de 1947, sobre as condições laborais em Angola, sob o título “só os mortos escapam aos trabalhos forçados”, e escreve que “Salazar (…) deve estar furioso. Portugal está nos noticiários e isso é a última coisa que ele desejaria.”

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