Jaime Serra

22 Janeiro 2021

#Nestedia 22 de janeiro, Jaime Serra, o mais antigo antifascista vivo, celebra hoje 100 anos.

Jaime dos Santos Serra nasceu em Alcântara, Lisboa, a 22 de Janeiro de 1921. 

O pai, estivador, era próximo dos ideais anarco-sindicalistas, “A Batalha” e a literatura revolucionária cedo estiveram presente na sua vida. 

Após a precoce morte do pai, abandona os estudos e começa a trabalhar com 12 anos, na construção civil, no Barreiro. Foi aí que conheceu um comunista que o introduziu na biblioteca dos Penicheiros e no ensino de esperanto. 

A prisão de um dirigente sindical nas oficinas da CP no Barreiro, na sequência da Revolta do 18 de Janeiro de 1934, seria a sua primeira experiência de protesto em solidariedade com o ferroviário. Pouco tempo depois adere à Juventude Comunista e ao Socorro Vermelho, e em 1935 adere ao Partido Comunista Português.

​Com 16 anos é preso a primeira vez, numa distribuição do Avante. Frequentou um curso noturno da Escola Industrial Marquês de Pombal, e em 1939, é admitido no Arsenal do Alfeite, onde ficará como operário até 1947. No Alfeite, ajuda a organizar a célula clandestina do PCP, onde 100 exemplares do “Avante!” eram distribuídos entre os mais de 3 mil trabalhadores. ​Participa nas greves da construção naval de 47, ​e por estar referenciado pela polícia​, ​passa à clandestinidade. Fá-lo já casado com a sua companheira de sempre, Laura Serra, e com uma filha, a segunda nasceria na clandestinidade. 

Em 1949, Jaime Serra é preso pela segunda vez, recusa fazer qualquer declaração à PIDE e é barbaramente torturado. Durante meses fica nos calabouços do Aljube à mercê das sessões de tortura, enquanto o inspetor Gouveia profetizava que o iria “vergar”. Tal não aconteceu, e Jaime Serra foi transferido para Peniche, de onde foge a 3 de Novembro de 1950, com Francisco Miguel. Acaba por voltar a ser preso em Dezembro de 1954 e evade-se de Caxias em Março de 1956. Após nova prisão em Dezembro de 1958, participará na célebre fuga de Peniche, a 3 de Janeiro de 1960, com outros dirigentes comunistas, Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho. Não volta a ser preso.

Em 1962, teve a difícil, mas bem sucedida, tarefa de concretizar a saída de Portugal dos dirigentes dos movimentos de libertação Vasco Cabral e Agostinho Neto. 


Em 1970 fica responsável pela criação da ARA (Ação Revolucionária Armada), organização do PCP que desenvolve um conjunto de ações contra a máquina de guerra do regime: a bomba no paquete Cunene, a destruição de mais de 20 aeronaves da força aérea em Tancos, a interrupção das comunicações durante a reunião da NATO em Lisboa. 

Após o 25 de Abril de 1974 enquanto dirigente do PCP teve variadas responsabilidades, foi deputado à Assembleia Constituinte e deputado à Assembleia da República.

O Museu do Aljube Resistência e Liberdade presta-lhe homenagem e a uma vida dedicada à luta pela liberdade.

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