Revolta de Fevereiro de 1927

02 Fevereiro 2021
Condução de presos para o Arsenal, Ferreira da Cunha, REV000014, Arquivo Municipal de Lisboa. Inscrição no original: Lisboa – Condução de presos para o Arsenal (afim de embarcarem). 

Entre 1926 e 1933, Portugal vive uma situação de “guerra civil intermitente” e uma frente composta por democráticos e radicais, ligada ao chamado Reviralho, manteve vivo o combate à Ditadura Militar. Foram cerca de 10 revoltas e intentonas, algumas delas de grande dimensão, como a Revolta de Fevereiro de 1927. A ideia era que ocorresse em simultâneo em vários pontos do país. Mas tal não acontecerá, por falta de coordenação e por dificuldades nas comunicações.   

A sublevação começou no Porto, no dia 3, sob a liderança de militares e civis, figuras como Sousa Dias, Jaime de Morais, Jaime Cortesão ou José Domingos dos Santos. De madrugada, as tropas do quartel do Regimento de Caçadores 9, a que se juntou uma companhia da Guarda Republicana e outros regimentos da cidade e arredores, saem rumo à zona da Batalha, onde eram as sedes do Quartel-General, do Governo Civil e a mais importante estação do telégrafo. Entre os pontos ocupados, contam-se a rua 31 de janeiro, a confluência das ruas de Cima de Vila e da Madeira ou a esquina do edifício do Hospital da Ordem do Terço. Enquanto isso, forças fiéis ao regime preparavam o cerco aos revoltosos, sob a liderança do ministro da Guerra, Passos e Sousa, e do coronel João Carlos Craveiro Lopes.   

O confronto durou cinco dias, até à rendição, na tarde de 7 de fevereiro. Será, no entanto, neste dia que a revolta deflagra em Lisboa, sob comando de homens como Mendes dos Reis e Agatão Lança, juntando marinheiros, companhias da GNR, e membros da “Formiga Branca”, com barricadas na rua Alexandre Herculano, Largo do Rato, rua de São Filipe Néry e ocupação de pontos estratégicos, mas também aqui sem sucesso face à supremacia das forças governamentais. A rendição ocorrerá no dia 9, ao final da tarde.   

Passos e Sousa dirá mais tarde que a Revolta de Fevereiro tinha sido “um acontecimento lamentável, mas talvez providencial”. Tinha permitido ver onde estavam os inimigos. Os funcionários públicos envolvidos nestas revoltas serão despedidos; as unidades de exército e GNR que delas tomaram parte serão dissolvidas; centenas de homens serão presos e deportados, outros fuzilados, outros partirão para o exílio. É nestas circunstâncias que, em março de 1927, exilados políticos criarão a Liga de Paris. Mas disso, falaremos a seu tempo.

Imagem: Conflitos nas ruas de Santa Catarina e 31 de Janeiro; Ferreira da Cunha, REV000039, Arquivo Municipal de Lisboa. Inscrição no original: Porto – Aqui foi a “trincheira da morte…”. No cruzamento das ruas Stª. Catarina e 31 de Janeiro. As tropas fiéis ocupam as posições ainda poucas horas antes ocupadas pelos revoltosos enquanto o pessoal da Câmara concerta a calçada. (Esta fotografia foi feita às 11h.30m do dia em que as tropas entraram no Porto)   

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