Desfile das tropas chegadas da metrópole, maio de 1961, Arquivo Histórico Militar, Arquivo fotográfico da guerra em Angola Espólio do fotógrafo Manuel da Graça e Costa

Assalto a cadeias de Luanda

04 Fevereiro 2021
Patrulha no mato, 1961, Arquivo Histórico Militar, Arquivo fotográfico da guerra em Angola – Espólio do fotógrafo Manuel da Graça e Costa.

O início de 1961 em Angola abre um ciclo de ódio e terror, com o avolumar dos sinais de tensão, o aparecimento de focos de rebelião e a intensificação da repressão da revolta da Baixa do Cassange. Em março, centenas de elementos da população branca e milhares de mestiços e negros de etnias não bakongos seriam chacinados por elementos da UPA no norte de Angola. Em abril desembarcavam em Luanda as primeiras tropas portuguesas. Começava a guerra colonial.  

Mas, regressemos a estes dias de fevereiro, especificamente ao 4 de fevereiro de 1961, o dia que marca o início da luta armada pela independência em Angola.

Luanda fervilhava com jornalistas estrangeiros que aguardavam a possível chegada do paquete Santa Maria. Mas na noite de 3 para 4 de fevereiro, outro assunto será notícia. A Casa de Reclusão Militar, a Companhia Móvel da PSP, a Cadeia da Administração de São Paulo e a Companhia Indígena são atacadas por cerca de 200 homens armados com catanas, facas e algumas pistolas, vindos dos musseques da cidade.  O objetivo era a libertação dos nacionalistas presos ao longo de 1959 e 1960 e a obtenção de armas de fogo e munições para a luta pela independência. O plano previa outros alvos civis e militares, como o aeroporto ou os Correios, mas não corre como previsto. Do lado português sete polícias e soldados são mortos. A repressão não tarda, e às dezenas de rebeldes que morrem durante as operações juntam-se mais de uma centena de detidos pela PIDE e PSP. Nos dias seguintes, militares, polícias e milícias formadas por elementos da população branca farão ainda centenas de feridos e mortos entre a população negra, em ataques a musseques e rusgas. 

Numa lógica autónoma que transcende as organizações políticas e militares, embora alguns operacionais militassem ou simpatizassem com o MPLA e a UPA e com ambos os movimentos a reivindicar a ação, os acontecimentos de 4 de fevereiro de 1961 constituem a primeira grande ação contra o colonialismo português tendo em vista a independência, desmistificando a retórica de uma coexistência pacífica entre colonizado e colonizador e de uma harmonia racial e social. 

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