Agostinho da Silva

13 Fevereiro 2021

Meu caro Amigo: do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros, se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu, do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. (…)” 

in Sete Cartas a um Jovem Filósofo (1945) 

Em 1906, nascia #nestedia 13 de fevereiro, um dos mais destacados pensadores portugueses do século XX: George Agostinho Baptista da Silva.  

Depois dos estudos no Porto, da passagem por Paris e no regresso a Portugal, encontramos Agostinho da Silva no Liceu José Estêvão em Aveiro. Estávamos em 1935, ano em que é emitido o Decreto 27.003 – que obrigava os funcionários do Estado a afirmarem-se integrados no Estado Novo e com repúdio pelo comunismo e outras ideias subversivas. Agostinho da Silva recusa assinar a declaração e é demitido da Função Pública. Muda-se para Espanha, onde permanece até ao início da Guerra Civil, regressando a Lisboa e ao ensino, no Colégio Infante Sagres. Entre as colaborações na “Seara Nova”, as tertúlias e as mudanças que vai implementando no sistema de ensino no Infante Sagres, em 1940 Agostinho da Silva começa – com a colaboração de Fernando Raul – a escrita, edição e distribuição dos Cadernos de Informação Cultural, visto como uma afronta ao programa educativo do regime. 

É preso no dia 24 de julho de 1943, para averiguações, e enviado para o Aljube, onde permanece incomunicável durante 18 dias. Depois de libertado, é-lhe imposta a pena de residência fixa que cumpre em Portimão. Parte para o exílio na América Latina em 1944, fixando-se no Brasil entre 1947 e 1969, ano em que regressa a Portugal. Depois do 25 de Abril de 1974, regressa ao ensino em diversas universidades portuguesas, dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa e desempenha funções de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões).  

Agostinho da Silva morreu em 1994, aos 88 anos. 

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