Eleições de 1949

13 Fevereiro 2021

“A apresentação de uma candidatura da Oposição no actual estado de coisas significa a luta legal e pacífica pelos seguintes objetivos:

(…)Abolição da polícia política. Supressão do regime prisional que admite a tortura ou qualquer tratamento desumano dado aos presos, e, como tal, extinção dos campos e concentração ou de estabelecimentos afins (Colónia Penal de Cabo Verde);

b- anistia total para os presos políticos e por questões ditas sociais e consequente regresso dos exilados.

c- Abolição do regime de censura.

d- Liberdade de organização e actuação para os partidos políticos.”

in “À Nação”, discurso de Norton de Matos       

Em julho de 1948, Norton de Matos avançava com a candidatura à Presidência da República, nas eleições que iriam ocorrer #nestedia 13 de fevereiro de 1949. No seu discurso, o general anunciava os propósitos da candidatura e se, internamente, a linha era progressista, na frente colonial a posição era bem diferente. As expectativas da oposição vinham em crescendo desde 1943, com a já então anunciada vitória dos Aliados na 2.ª Guerra Mundial, e é com esse sentimento, de fortalecimento da oposição a Salazar, que surge a candidatura de Norton de Matos, que reunia à sua volta nomes como Jacinto Simões, Manuel Mendes, Mário de Lima Alves, Mário Soares, o Almirante Tito de Morais ou o seareiro Azevedo Gomes.  

A plataforma eleitoral unitária reuniu um vasto campo oposicionista e democrático: republicanos, maçons, socialistas, liberais, intelectuais, por exemplo da Seara Nova, comunistas, anarcossindicalistas da CGT, católicos ou até alguns monárquicos. Mas não foi, como seria de esperar, uma campanha fácil: a candidatura seria aprovada apenas em dezembro; a sua casa foi permanentemente vigiada; as saídas ao estrangeiro rigorosamente controladas; os comunicados vistos pela censura. É neste clima que começa a campanha, em janeiro de 1949, contra o Presidente em funções, Óscar Carmona. A candidatura teve forte adesão popular em diversas ações e regiões como Beja, Évora e, sobretudo, no Porto, cidade que recebe a 23 de janeiro de 1949 uma grande manifestação que reúne cerca de 10.000 pessoas, apoiantes de Norton de Matos, no Campo do Salgueiros. Contudo, a pressão da máquina do regime começava a fazer-se sentir, com prisões e outras ações repressivas sobre candidatos e apoiantes. Norton de Matos acabaria por anunciar a desistência a três dias das eleições, por não terem sido satisfeitas as suas exigências políticas mínimas.

Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício do Porto (Campo Hípico, à Fonte da Moura). Norton de Matos discursando. Disponível em http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04652.000.017
Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício do Porto (Campo Hípico, à Fonte da Moura). Disponível em http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04652.000.006
Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício de Lisboa (Voz do Operário). fevereiro de 1949. Disponível em http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04959.014.004
Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício de Lisboa (Voz do Operário). Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes, entre outros. fevereiro de 1949. Disponível em http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=04654.000.026

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