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Uma Tarde no Aljube – Pessoa Vs Salazar

5 de Dezembro de 2019

Conversa entre Ricardo Belo de Morais e o historiador José Barreto, autor do livro «Fernando Pessoa – Sobre o fascismo, a Ditadura Militar e Salazar»

PESSOA VS. SALAZAR – Uma Tarde no Aljube com uma conversa baseada no livro de José Barreto – Fernando Pessoa – Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar

UMA TARDE NO ALJUBECONVERSA entre Ricardo Belo de Morais e o historiador José Barreto, autor do livro «Fernando Pessoa – Sobre o fascismo, a Ditadura Militar e Salazar»5 de dezembro no Museu do AljubePESSOA VS. SALAZAR, ou as (in)compatibilidades entre poética e políticaEm 1935, ano da sua morte, Fernando Pessoa escreveu um conjunto de textos de corajosa denúncia da Censura e do Ditador, em que sobressai o libelo em defesa das «Associações Secretas» (Diário de Lisboa, 4.2.1935) e contra a proposta de lei do deputado José Cabral na Assembleia Nacional. Acintosamente, afirmava Pessoa nesse texto: «Posso desde já denunciar ao Sr. Cabral uma associação secreta – o Conselho de Ministros». Com este texto de afronta ao dito «Estado Novo», Pessoa foi reduzido ao silêncio – que a sua morte, em Novembro, concluiu definitivamenteSem que queiramos «descobrir» ou «denunciar» nada, este foi o mesmo Pessoa que, em 2 de fevereiro de 1928 escreveu «O Interregno. Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal», um texto com cinco «avisos» (ou razões), que terminava com esta messiânica (e tão pessoana) afirmação: «É este o Primeiro Sinal, vindo, como foi prometido, na Hora que se prometera», numa referência, que parece clara, ao célebre verso de «Mensagem».Como devemos interpretar este percurso? Na linha dos «consentidos» paradoxos que só a poesia permite, ou antes no contexto político que levou milhares de portugueses à abominação da «ditadura democrática do Sr. António Maria da Silva»? Ou seja, a apontar o remédio do mal dos partidos e da democracia doente pela implantação de uma «ditadura excecional e temporária», conduzida por «honrados» ou por «iluminados» para, com base nessa excecional iluminação, salvar o país da derrota e da desonra?Muitos portugueses pensaram como Pessoa. Perceberam depois, alguns muito tarde, que as «ditaduras» nunca são «iluminadas» e que, para se manterem, recorrem a todos os meios de opressão para impor o pensamento único.Terá Pessoa percebido demasiado tarde o que era um «ditador iluminado»? Ou continuaria a pensar que a sua preconizada «ditadura liberal» era possível com um outro ditador, não aquele «tiraninho» que ridicularizava no conhecido poema do «coitadinho»? Coisas que a morte de Pessoa desvaneceu e não permite apurar.#pessoa #aljube

Publiée par Museu do Aljube Resistência e Liberdade sur Vendredi 6 décembre 2019