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Livros no Aljube – Sinais de vida – Cartas de Guerra (1961-1974)

21 de Janeiro de 2020

Edições Tinta-da-china, 2019
Com apresentação de Aniceto Afonso

Milhões de cartas e aerogramas jazem algures, no fundo dos baús que guardam as memórias de guerra de mais de um milhão de soldados e as respostas das suas mães, das madrinhas de guerra ou dos amigos e camaradas. Raramente dos «pais», como referia a autora do livro – uma versão para o grande público da sua tese de doutoramento.

No Museu do Aljube Resistência e Liberdade, discutia-se – a autora e o público presente – se era possível perceber o tipo de consciência política que emanava da correspondência recolhida por Joana Pontes – muita, 4400 cartas, pouca, se tivermos em conta os milhões de cartas que foram escritas. Joana é da opinião que é possível perceber uma crescente, embora difusa, «politização» com o decorrer da guerra, longa e sem fim à vista.

E o medo de escrever de forma inconveniente? A ideia que se tinha é que se podia ser incomodado pela Censura e isso passa em muitos dos extratos publicados no livro. Mas Aniceto Afonso garantiu que não havia censura militar. Só em «casos especiais» poderia ocorrer essa intercepção. Fica então o medo como explicação. Explicação para a autocensura e, porventura, para a duração da guerra, sem grandes rebeliões que sejam conhecidas – excluindo o desenlace, em 25 de Abril de 1974

Dois extratos deste livro a ler:

«vê lá se te resguardas (…) Cumpre o teu dever mas nada de heroísmos mas sim salvar a péle, que é o que mais preciso temos» (Padrinho para António), p. 179 (sic)

«fiquei muito contente por saber que ultimamente não tens saído para o mato. Deus queira que isso não aconteça nestes tempos mais próximos, nem nunca mais se possível fôsse!» (Teresa para Luís).(sic), p. 179