18 de Janeiro de 1934

18 Janeiro 2021
Embarque para Angra do Heroísmo de deportados sindicalistas.

#Nestedia 18 de janeiro de 1934 eclodia a greve geral revolucionária ou insurrecional, um dos acontecimentos fundamentais da história do movimento operário português. 

A greve era uma resposta à “fascização dos sindicatos”, imposta em setembro de 1933 pelo “Estatuto do Trabalho Nacional”, inspirado na “Carta del Lavoro” de Mussolini. Foi organizada por anarcossindicalistas da Confederação Geral do Trabalho, comunistas da Comissão Intersindical,  ligada ao Partido Comunista Português, socialistas da Federação das Associações Operárias e sindicatos autónomos organizados no Comité das Organizações Sindicais Autónomas, e previa também sabotagens, bombas, ações armadas, corte de comunicações e de estradas e uma sublevação militar republicana.

Contudo, o movimento foi rápida e facilmente controlado pelo regime que, em antecipação, procedera a uma série de prisões. 

A greve teve adesão e duração limitadas. Em Almada, Barreiro, Silves ou Sines os trabalhadores entraram em greve, em Lisboa rebenta uma bomba no Poço do Bispo, é cortado o caminho de ferro em Xabregas e na Póvoa de Santa Iria dá-se um aparatoso descarrilamento. Em Coimbra explode uma bomba na central elétrica. Em Leiria as comunicações são cortadas. Assinalam-se ainda explosões na via férrea de Martingança, sabotagens em Tunes ou a obstrução da estrada entre Vila Boim e Terrugem.

Só na Marinha Grande os acontecimentos atingem maiores proporções. Terra de fortes tradições de lutas vidreiras, é o respetivo sindicato, afeto aos comunistas, a liderar o processo. Grupos de operários ocuparam o posto da GNR, o edifício da Câmara Municipal e os CTT e regista-se o atentado contra a residência de um industrial. É proclamado o efémero, mas pleno de carga simbólica, “soviete da Marinha Grande”. Mas rapidamente as forças militares põem cobro à insurreição e em poucas horas controlam a situação.

À coragem e determinação do movimento operário, o regime respondeu com violenta repressão. 

Uma forte vaga de prisões e deportações de dirigentes comunistas e anarcossindicalistas, vários participantes no 18 de janeiro morreriam, mais tarde, no Tarrafal: Pedro Matos Filipe, Augusto Costa, Arnaldo Simões Januário, Casimiro Ferreira, Ernesto José Ribeiro, Joaquim Montes, Mário Castelhano, Bento Gonçalves, Manuel Augusto da Costa e António Guerra.

Com​ o assassinato de Bento Gonçalves e Mário Castelhano eram decapitadas as lideranças das duas correntes dominantes no movimento operário que haviam estado na realização do 18 de janeiro: anarcossindicalistas e comunistas, mas o seu exemplo de coragem continuaria a inspirar o operariado português. 

Imagem: Os indivíduos presos como tendo tomado parte na sublevação comunista da Marinha Grande. Arquivo Nacional Torre do Tombo

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