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Lisboa a partir do Aljube -Barreiro Repressão e Resistência

29 de Junho de 2019

© Museu do Aljube Resistência e Liberdade
© Museu do Aljube Resistência e Liberdade
© Museu do Aljube Resistência e Liberdade
© Museu do Aljube Resistência e Liberdade

Hoje percorremos o Barreiro histórico – o das marcas de um sítio industrial de dimensão única às portas de Lisboa. Agora desindustrializado e profundamente descaracterizado. Fizemo-lo com Vanessa Almeida e com Álvaro Monteiro.

O Barreiro teve cerca de 200 associações – desportivas, culturais, recreativas, garantiu Álvaro Monteiro. Como o «Luso», onde durante o tempo em que esteve na sua direção trouxeram, em 1967, Zeca Afonso e lhe pediram para cantar «Os Vampiros». Tempo único, para Álvaro Monteiro, candidato da CDE em 1969 e em 1973. Preso pela GNR e pela PIDE em 1967, em 1970, por todos estes factos. No Barreiro, o Movimento Democrático concorrente às eleições de 1969 ganhou-as, com 61% dos votos. Estava-se nos alvores do «Marcelismo» e tudo parecia ainda possível. Exceto que se falasse, onde quer que fosse, da Guerra Colonial, disparava uma das visitantes quando Álvaro referia os temas da campanha eleitoral – tanto em 1969 como em 1973. No Barreiro havia a CUF, as Oficinas de Sul e Sueste e antes disso dezenas de unidades fabris corticeiras. Milhares de operários vindos de todo o país, alentejanos, algarvios, ratinhos. E por isso mesmo todos os órgãos de enquadramento e de repressão do Estado ditatorial tinham aí «quartéis» assegurados. Mas tal não impediu que tivesse sido a única terra onde o movimento democrático ganhou as eleições para deputados em toda a história das farsas eleitorais salazaristas.

Para relembrar (com nostalgia) Álvaro Monteiro, ou para aprender o valor da Resistência?