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Vidas Prisionáveis – «34»

12 de Fevereiro de 2020

Casa do 34

O espírito do 34 encheu esta tarde o auditório do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Afonso Dias, Xico Braga, Joaquim Alberto e Carlos Cruz estiveram à conversa com Ana Aranha, a recordar como eram aqueles tempos em que as sextas-feiras eram passadas a cantar e em festa no número 34 do Bairro do CASI, em Vila Franca de Xira. Uma casa de chave na porta, sempre aberta para quem quisesse entrar. E foram muitos os que lá entraram. Gente que se opunha ao regime, jovens vindos de vários sectores. Xico Braga, por exemplo, recorda os seis meses que viveu no 34 como "os mais importantes" da sua vida. "O 34 trouxe-me um grande 31 a mim", começa por confessar Carlos Cruz. Era ele quem pagava a renda da casa, ele que era o coadjutor de Vasco Moniz, padre nascido em Goa e o criador do CASI, e era nessa casa que mantinha um quarto, onde ia dormir de vez em quando, "para manter a aparência". Uma casa comunitária, um espaço de liberdade e de convívio. O "34 que nos traz aqui é o Joaquim Alberto", diz Xico Braga. Foi ele, Joaquim Alberto, que em França, em vez de seguir os estudos como planeado, optou por dar a mão a tantos e tantos que chegavam diariamente, idos de Portugal. Foi em França que começou este espírito de "chave na porta, aberta para quem quisesse entrar". "O trabalho que ele faz em França, de apoio aos emigrantes, é qualquer coisa de fabuloso. [É] esse espírito que traz para Vila Franca. Ele é que é o pai, é à volta do Joaquim Alberto que nasce isto e que se abre aquela porta para que isto aconteça", frisa Xico Braga. Foi um "desejo de liberdade que uniu as pessoas e que as fazia juntar no 34. A que vocês iriam também, estou convencido. Portanto vocês é que têm essa responsabilidade, agora", disse Afonso Dias, dirigindo-se aos mais novos que estavam na plateia, alunos da Escola Secundária Anselmo Andrade, em Almada, e do Agrupamento de Escolas de Mem Martins. "Não há Liberdade, nem há Democracia. Há homens e mulheres livres e há democratas", frisou Joaquim Alberto. Aquilo que é importante, remata Carlos Cruz, é que as pessoas pensem, "aquilo que não se podia fazer na altura: pensar, reflectir, agir. Pensem, reflictam e intervenham activamente na vida". O auditório esteve cheio. De reflexão, de perguntas e também de festa, como testemunha o vídeo que aqui partilhamos.#aljube #vidasprisionáveis #semmemórianãoháfuturo

Publiée par Museu do Aljube Resistência e Liberdade sur Mercredi 12 février 2020

O espírito do 34 encheu o auditório do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Afonso Dias, Xico Braga, Joaquim Alberto e Carlos Cruz estiveram à conversa com Ana Aranha, a recordar como eram aqueles tempos em que as sextas-feiras eram passadas a cantar e em festa no número 34 do Bairro do CASI, em Vila Franca de Xira. Uma casa de chave na porta, sempre aberta para quem quisesse entrar. E foram muitos os que lá entraram. Gente que se opunha ao regime, jovens vindos de vários sectores.

O auditório esteve cheio. De reflexão, de perguntas e também de festa, como testemunha o vídeo que aqui partilhamos.