Trabalhador metalúrgico, Santa Iria da Azóia, Loures, 1977 © Armindo Cardoso

Exposição Temporária «Os Olhos da Memória» de Armindo Cardoso

12 de Novembro de 2020 - 11h00
Museu do Aljube
Trabalhador metalúrgico, Santa Iria da Azóia, Loures, 1977 © Armindo Cardoso

Armindo Cardoso nasceu em 1943 no Porto. Ligado desde cedo ao cineclubismo e ao teatro experimental do Porto, aos 16 anos militante da frente Patriótica, desenvolve atividade clandestina e é preso por atividades “contra a segurança do estado”. Preso e torturado durante alguns meses no Porto, cumprirá o serviço militar na companhia disciplinar de Penamacor. Fugindo à guerra colonial, sai de Portugal a salto, rumo a Paris, onde desenvolve atividade cultural junto da emigração portuguesa nos bidonville e nas fábricas. Dedica-se profissionalmente à fotografia, acompanha os acontecimentos do Maio de 68 e casa com uma mulher chilena, país para onde irá em 1969 e trabalhará como fotógrafo, de forma próxima com o Governo de Unidade Popular de Salvador Allende. Colaborou com a Universidade de Concepción, na editora Quimantú, em publicações como Atenea, Educación, Paloma ou Chile Hoy. Foi ainda fotógrafo no documentário “La Batalla de Chile”, de Patricio Guzmán.

Com o golpe de 11 de setembro de 1973 de Pinochet é alvo de um mandado de captura por parte da DINA (Dirección de Inteligencia Nacional). Refugia-se durante três meses na embaixada da Venezuela e regressa a França com o estatuto de refugiado político. Antes da saída do Chile enterra num quintal duas caixas de negativos retratando aquele período pleno de liberdade e esperança da história chilena, que serão depois resgatados e enviados para França. O acervo chileno de Armindo Cardoso foi adquirido pela Biblioteca Nacional do Chile que organizou a exposição   “Un otro sentimiento del tiempo. Chile, 1970-1973“.

Regressado a Portugal, fotografa operários, agricultores, corticeiros, mineiros, pescadores, manifestações e reuniões de trabalhadores, mas também rostos de intelectuais e artistas.

As fotografias que estarão expostas no Museu do Aljube Resistência e Liberdade contam-nos a história recente de um país, o tempo entre a revolução, no ano de 1975, e o período pós-revolucionário, entre 1976 e 1980. O olhar de Armindo Cardoso percorre momentos críticos do processo revolucionário em curso, como o 1º de maio de 1975 ou o cerco à Assembleia Constituinte, mas também os anos de “refluxo”, de “contrarrevolução” ou de “normalização”, consoante as narrativas. Os ecos de uma revolução, a continuação das lutas populares e operárias, ou mesmo da própria revolução, num diferente e desfavorável contexto político, institucional, económico e militar.

A Exposição estará aberta ao público de 12 de novembro de 2020 a 31 de janeiro de 2021, na sala de exposições temporárias do Museu do Aljube. Entrada Gratuita para a exposição temporária.

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