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Ciclo de Cinema – Luz Obscura

19 de Fevereiro de 2020

Luz Obscura começa com a voz de Isabel, embargada. Entre as recordações está o dia em que foi presa com Albina e com o irmão, Rui. A primeira fotografia que nos aparece é a de Octávio Pato, da ficha de preso político. Agora é Álvaro que desfia as memórias desses dias. Isabel regressa para contar que da prisão lembra-se de Albina não dormir, com medo que lhe tirassem os filhos, usados tantas vezes pela PIDE como meio de chantagem. Lembra-se de ter sido entregue aos avós. Tinha seis anos. Lembra-se do cheiro do Lagar lá de casa e lembra-se do que comeu. Entre as imagens, Isabel e Rui. Pequenos. Crianças.

Perante um auditório hoje repleto de alunos do Agrupamento de Escolas Madeira Torres, de Torres Vedras, Susana de Sousa Dias explicou que a ideia de fazer este documentário nasceu de uma fotografia de cadastro que encontrou nos arquivos da PIDE, a única que se conhece, com uma criança. Rui Pato, ao colo da mãe, Albina. É uma das imagens que nos mostra em Luz Obscura. Rui foi o primeiro dos irmãos que Susana conheceu. E o ritmo com que conta a história desta família? O ritmo resulta do impacto causado pelas imagens que viu nos arquivos, pela reflexão que lhe causaram. “Estar com as pessoas neste tempo”, diz.

Na sala está também Álvaro Pato, que lembrou passarem hoje precisamente 21 anos sobre a morte do pai, Octávio Pato. 11 familiares presos. “Era necessário continuar”, diz Álvaro respondendo à pergunta “porque não desistiu?”. No documentário, ouve-se Álvaro dizer que não sabe o que é feito de quem torturou. Perdoou? “Não perdoo à Democracia não os ter julgado”.

Uma única família. Um entre muitos casos cujas vidas foram “incomodadas” pela Ditadura. Voltamos a Isabel, que em Luz Obscura desabafa “a PIDE sempre fez parte da nossa vida. Mesmo quando não estava na nossa casa”.