Fernando Vicente

16 de Outubro de 2019 - 16h00
Auditório do Museu do Aljube
Fernando Vicente, desfile para a António Maria Cardoso, 25.04.2017.

Fernando Vicente, ex-preso político, membro do movimento ‘Não Apaguem a Memória’, estrutura fundamental na criação deste nosso Museu, foi o primeiro convidado de Ana Aranha, na abertura do novo ciclo de ‘Vidas na Resistência’.
Nascido em Lisboa, engenheiro de profissão, as lutas em que se envolveu no movimento estudantil, especificamente a participação numa Greve Geral, foram o início da participação política e fizeram com que fosse expulso da faculdade de Lisboa. Há um momento que não esquece. Perto do Tivoli, num 1.° de Maio, quando um polícia lhe encostou uma arma às costas, dando-lhe voz de dispersão.
10 de Novembro de 1971. Alguém toca à porta da casa de Fernando Vicente, que alerta a mulher “Cuidado, podem ser eles”. Era a polícia, de facto. Que, no momento, em resposta ao pedido de Fernando Vicente, escreveu, numa folha em branco, um mandado de prisão. Fernando Vicente foi preso nesse dia. Não sem antes tomar o pequeno almoço. O 1-0, no campeonato que começou nesse momento, na sua cabeça, com a PIDE. O 2-0 foi o pentear-se antes da fotografia para a ficha em Caxias. Um gesto que irritou o agente da PIDE e levou a “dois minutos em que fui insultado de tudo e mais alguma coisa”.
5 dias e 5 noites sem dormir. 24 horas de pausa, coincidindo com o dia da visita. Seguiram-se 13 dias e 13 noites novamente sem dormir, 24 horas de descanso e, de novo, 13 dias e 13 noites sem dormir. Admite que é difícil, para quem não passou pelo mesmo, entender a situação. A superação dos primeiros cinco dias, os mais difíceis, reconhece, causou-lhe espanto. “Ou vai de maca para o manicómio, ou morre ou fala”, diziam-lhe nos interrogatórios. As datas das reuniões, o conteúdo e os locais, os nomes, a pertença ao Partido, o ser comunista. O grau das perguntas foi mudando, face à resistência. Foram ficando mais ténues. À tortura do sono, juntaram-se a estátua e espancamentos. Fernando Vicente resistiu. Sempre. “Um instante de cada vez”. 3-0, 4-0…

Conversa conduzida por Ana Aranha.

Com a presença de alunos do Agrupamento de Escolas José Relvas, Alpiarça, alunos do ISCTE – IUL e da comunidade.

Inscrições obrigatórias e, mediante os lugares existentes.

Outros eventos

Colóquio “Teatro, performance e o processo revolucionário em curso”
Integrada no projeto PREC.PT: Performance e Teatro no PREC, esta jornada propõe uma reflexão crítica sobre o papel do teatro e da performance na construção da democracia em Portugal.
25 de Fevereiro de 2026 - 10h00
Leia Mulheres sobre Silvina Ocampo
O Museu do Aljube volta a acolher a sessão do clube, que é dedicada ao livro "A Promessa", da Silvina Ocampo com moderação de Déa Paulino.
22 de Fevereiro de 2026 - 15h00
Universidade sem Exames
Retomamos o ciclo "Universidade sem Exames" desta vez com a aula a "Origem e evolução da social-democracia alemã até à Primeira Guerra Mundial" com António Louçã.
10 de Fevereiro de 2026 - 18h00
Formação de professores: Revolução, História e Memória
A partir da reflexão sobre o passado ditatorial marcado pela violação sistemática dos Direitos Humanos, valorizar a resistência à ditadura e o processo revolucionário de 1974 e 1975 como momento inédito de participação popular na conquista da democracia e de direitos e liberdades fundamentais em Portugal.
7 de Fevereiro de 2026 - 10h00