© 2025, Joana Gorjão Henriques e Edições tinta‑da‑china, Lda

Apresentação do livro “Racismo em Português 2 – Colonos, Retornados e a Revolução por Cumprir”

6 de Maio de 2025 - 18h00
AUDITÓRIO DO MUSEU DO ALJUBE

Recebemos no Museu do Aljube a apresentação do livro Racismo em Português 2: Colonos, Retornados e a Revolução por Cumprir de Joana Gorjão Henriques, e uma conversa com a presença da autora, Dulce Maria Cardoso e Álvaro Vasconcelos, moderada por Iolanda Évora.

Sobre o livro:
Depois de um sistema que criou divisões lá e cá, ainda falta fazer a revolução da igualdade racial

No século XX, milhares de portugueses migraram para Angola e Moçambique para serem colonos. Mais tarde, outros milhares fizeram o movimento inverso.

Em Racismo em Português 2: Colonos, Retornados e a Revolução por Cumprir ouvimos os seus relatos. Os colonos descrevem como o racismo era usado para dominar; os retornados falam do regresso a um país que celebrava a democracia mas, ao mesmo tempo, se fechava nas suas pequenas fronteiras.
O primeiro livro recolheu mais de cem testemunhos nos países que foram colonizados por Portugal (Racismo em Português); o segundo olhou para o racismo estrutural na actual sociedade portuguesa (Racismo no País dos Brancos Costumes). Este volume dá continuidade à trilogia focando‑se nas reflexões de ex‑colonos sobre um sistema que criou divisões lá e cá, incentivando o debate sobre uma parte da Revolução de Abril que ainda não se concretizou.

«Dez anos depois do início desta série, a realidade nacional e internacional mudou, o tema do racismo passou a ser parte do debate público e político. Desenharam‑se mudanças nos currículos para contar esta história de forma mais equilibrada, embora continuem a existir manuais que falam de pessoas escravizadas como objectos e nada digam sobre a enorme resistência das populações africanas, mantendo as falhas que perpetuam a desigualdade na memória colectiva. Criaram‑se estruturas como o Observatório do Racismo e da Xenofobia, mas que pouca actividade têm e que mantêm na sua estrutura hierárquica e liderança pessoas não racializadas.
Hoje, embora seja amplamente usado no discurso público, o termo ‘racismo’ continua a polarizar, gerando reacções acesas, muitas vezes desproporcionais relativamente àquilo que se pretende combater, o que só mostra a nossa dificuldade em enfrentar com honestidade as raízes históricas e estruturais do racismo em Portugal.»

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