Universidade sem Exames
O grupo Universidade sem Exames resolveu tomar a iniciativa de criar um programa de ensino não académico, inicialmente com filosofia e economia (em Outubro haverá História), no sentido de dar alguns instrumentos de conhecimento e pensamento crítico, necessários a todos nós, neste momento de panorama político tão complexo.
Sabemos que só quem conhece bem uma matéria consegue explicá-la aos outros por palavras simples. Foi o nosso critério de escolha dos professores. Cada um de nós ouve conversas muito “eruditas” e tem vergonha de perguntar. Vamos aprender e deixar de ter vergonha. Esta Universidade é gratuita, aberta a pessoas com vários graus de instrução e de qualquer idade, apelando aos mais jovens para que venham.
18H00 | Origem e evolução da social-democracia alemã até à Primeira Guerra Mundial com António Louçã
A social-democracia alemã, resultante da fusão entre a corrente marxista e a corrente lassaliana, foi o mais importante partido operário do século XIX e a coluna vertebral da II Internacional. Resistiu à legislação anti-socialista de Bismarck, sobreviveu em condições de semi-clandestinidade e conseguiu tornar-se o principal partido do país num regime em que o parlamento não podia escolher o governo. O sucesso obtido pela social-democracia alemã nessas difíceis condições, a influência que obteve, o aparelho clandestino que logrou construir, a produção teórica dos seus dirigentes, a agitação dos seus deputados, fizeram dela um modelo internacional, incensado por figuras tão diversas como Jaurès, Lenine e Martov. Dentro do partido convivia uma notável variedade de correntes, desde o revisionista Eduard Bernstein à revolucionária Rosa Luxemburgo, passando pelo centro de Karl Kautsky, August Bebel e Wilhelm Liebknecht. A coexistência atravessou momentos de maior ou menor tensão e manteve-se através deles, até à crise final de 4 de agosto de 1914, quando o partido abandonou a sua política anti-militarista e anti-belicista, para votar os créditos de guerra, tornando-se o que Rosa Luxemburgo designou como “um cadáver pestilento”.
António Louçã (n. 1955) militou no movimento trotskista desde 1972 e no BE de 1999 até 2007, fez o mestrado em História Contemporânea em fevereiro de 2000 sobre Portugal e o ouro nazi, foi jornalista da RTP de 2001 até 2024. Tem diversos livros publicados sobre temas relativos à Segunda Guerra Mundial e à revolução portuguesa de 1974-75.