Alfredo Caldeira

Biografia

Alfredo Ladeira Caldeira nasceu em Lisboa a 20 de novembro de 1945. Neto de um republicano de esquerda, filho do advogado oposicionista, Heliodoro Caldeira, e sobrinho do dirigente do Partido Comunista Português (PCP), Alfredo Caldeira, morto no Campo de Concentração do Tarrafal em 1938.

Estudante de Direito, responsável pela secção de propaganda da Associação de Estudantes, participa ativamente nas lutas estudantis e adere ao PCP. Depois de uma curta detenção em Oeiras durante a crise académica de 1962, é preso em janeiro de 1965, após denúncia do responsável do PCP pelo sector estudantil de Lisboa que passara a colaborar com a polícia política. Alfredo Caldeira passou, primeiro, pelas cadeias do Aljube (onde esteve em rigoroso isolamento num curro praticamente sem luz natural) e de Caxias, com espancamento na sede da PIDE/DGS pelo meio. Condenado em Tribunal Plenário a 14 meses de prisão, seguiu para a prisão de Peniche.

Após a libertação, em outubro de 1966, continuará ativo na luta contra a ditadura e ligar-se-á, mais tarde, ao Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP).

Depois do 25 de Abril integrou o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e Legião Portuguesa (LP). Foi diretor do arquivo da Fundação Mário Soares (FMS), dirigiu o projeto de digitalização do seu arquivo e biblioteca e o projeto http://casacomum.org/. Fortemente empenhado no combate pela memória antifascista, é autor de vários livros e dinamizou vários projetos de investigação e páginas na internet sobre a história da resistência (https://memorial2019.org/, https://ribeirosantos.net/, https://tarrafal-cdt.org/). Coordenou numerosas iniciativas de salvaguarda e recuperação de documentação histórica em Portugal e ex-colónias. Participou em inúmeros trabalhos de investigação, documentários e exposições. Foi um dos responsáveis pela exposição A Voz das Vítimas realizada no Aljube em 2011e um dos mais ativos impulsionadores da criação do Museu do Aljube Resistência e Liberdade.

Data de Recolha: 22.06.2016

Palavras – Chave: Família, Prisão, Estudantes, Movimentos Estudantis, Prisão do Aljube, Interrogatórios, Tortura, Julgamento, PIDE, Tribunal Plenário, PCP, Tarrafal, Preservação da Memória, Comissão de Extinção da PIDE.

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Outros testemunhos