Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques

Biografia

Camilo Tavares Mortágua nasceu em Oliveira de Azeméis a 29 de janeiro de 1934. Foi uma das principais figuras da luta armada contra a ditadura. Em 1951, com 17 anos, emigra para a Venezuela. Liga-se aos círculos da oposição portuguesa naquele país. Fez parte do Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL) e participou, em janeiro de 1961, no desvio do paquete “Santa Maria”, a célebre “Operação Dulcineia” comandada por Henrique Galvão. Em novembro do mesmo ano, com Amândio Silva, Camilo Mortágua, Fernando Vasconcelos, João Martins, Maria Helena Vidal e Hermínio da Palma Inácio, integra a “Operação Vagô” que desvia um avião da TAP e lança sobre Lisboa milhares panfletos da Frente Antitotalitária dos Portugueses Livres no Estrangeiro. Em maio 1967, participa no assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, levado a cabo pela Liga de União e Ação Revolucionária (LUAR), da qual foi fundador e dirigente.

Depois do 25 de Abril, mantém a ligação à LUAR e participa ativamente nas lutas políticas e sociais do processo revolucionário, nomeadamente na ocupação da herdade da Torrebela e na constituição da respetiva cooperativa. Em junho de 2005, foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa. Em 2013 publicou as suas memórias, Andanças para a Liberdade.Camilo Mortágua morreu aos 90 anos no dia 1 de novembro de 2024, em Alvito, onde residia.

Fernando Alberto Pereira Marques, “o Nelson”, nasceu em Coruche a 16 de abril de 1948.

Em 1966, instala-se em Paris, onde era trabalhador-estudante e dava assistência a um deficiente físico.  A estudar Sociologia na Sorbonne, participa nos acontecimentos de Maio de 1968. Foi um dos 500 estudantes presos a 3 de maio de 1968. No dia 22 de maio, com outros estudantes, ocupou a Casa de Portugal, residência dos universitários portugueses, proclamando-a como o “primeiro território livre e socialista de Portugal”.

Militante da Liga de União e Ação Revolucionária (LUAR), participou na tentativa de tomada da cidade da Covilhã, em agosto de 1968, na sequência da qual foi preso pela PIDE a 20 de agosto de 1968, seguindo para a cadeia de Caxias. Em abril de 1969 foi transferido para a delegação da PIDE do Porto, onde apoiará a fuga de Palma Inácio, em maio. Julgado a 8 de maio, foi condenado a dois anos e meio de prisão.

Depois de passar pelas cadeias de Caxias e Peniche, foi transferido, em fevereiro de 1971, para o Anexo Psiquiátrico da Cadeia Penitenciária de Lisboa. Nesse mesmo mês iniciou o período de medidas de segurança no forte de Peniche. É restituído à liberdade a 6 de agosto de 1971. Em 1973, regressa ao exílio em França, onde dirigirá o jornal da LUAR, Fronteira.

Diplomou-se na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) de Paris, desenvolveu atividade académica e docente, dedicou-se à investigação e é autor de várias obras. Foi, ainda, deputado à Assembleia da República e dirigente nacional do Partido Socialista.

Data de Recolha: 03.03.2016

Palavras – Chave: Operação Dulcineia – Assalto ao Santa Maria, LUAR – Liga de União e Ação Revolucionária, Prisão, Luta Armada, Operação Vagô – Desvio de avião da TAP, Fuga de Palma Inácio da cadeia do Porto.

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Outros testemunhos