José Mário Branco
Biografia
Filho de professores primários, José Mário Monteiro Guedes Branco nasceu a 25 de maio de 1942, no Porto. A educação musical esteve sempre presente, estudando na escola Parnaso. Em 1958, envolveu-se na campanha de Humberto Delgado. Integrou a Juventude Estudantil Católica (JEC) e a Juventude Universitária Católica a (JUC). Em 1961, liga-se ao Partido Comunista Português (PCP), participa nas lutas académicas, em Lisboa e em Coimbra, onde estudava e dinamizava uma célula comunista nos liceus. É preso em abril de 1962, passando pelo Aljube e Caxias. Será libertado em setembro.
Decidido a não ir para a guerra colonial, deserta, à revelia do PCP, em 1963 e parte para o exílio em França. Adere ao Comité Marxista-Leninista Português (CMLP)/Frente de Ação Popular (FAP) e vive o Maio de 1968. Retoma a atividade musical, atua em encontros de emigrantes e eventos culturais, envolve-se em atividades teatrais e culturais e conhece Sérgio Godinho e José Afonso (cujo disco Cantigas do Maio produz). Em 1969, grava o seu primeiro disco, Seis cantigas de amigo. Em 1972 foi galardoado com os Prémios de Música Ligeira da Casa da Imprensa.
Regressa a Portugal com o 25 de Abril e é um dos fundadores do Coletivo de Ação Cultural (CAC), mais tarde Grupo de Ação Cultural (GAC) “Vozes na Luta”, ligado à União Democrática Popular (UDP). Trabalha com o grupo de teatro da Comuna, gravando o disco A Mãe, e no Teatro do Mundo. Em 1980, lança o disco Ser Solidário onde pontifica “FMI”. Estaria na fundação do Bloco de Esquerda em 1999. Manterá uma excecional carreira artística e constante intervenção cívica até à sua morte a 19 de novembro de 2019.
Data de Recolha: 16.05.2019
Palavras – Chave: Prisão do Aljube, PIDE, Interrogatórios, PCP, Diferença de Classe, Tortura, Estudantes, Exílio, Guerra Colonial, Maio de 1968.