Alfredo Matos e José Pedro Soares

Biografias
Alfredo Rodrigues de Matos nasceu em São Pedro do Sul, a 22 de julho de 1934 e vai viver para o Barreiro em 1939. Adere ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil. Em 1952 começou a trabalhar na CUF. É preso pela PIDE em janeiro e, depois, em setembro de 1957. Condenado no Tribunal Plenário de Lisboa a 18 meses de prisão, a que se juntaram três anos de medidas de segurança, cumprirá um total de quatro anos e seis meses de prisão, passando pelo Aljube, Forte de Caxias e cadeia da PIDE no Porto. Durante a prisão adere, em 1961, ao Partido Comunista Português (PCP). É libertado em janeiro de 1962.
Em 1969 fez parte da Comissão Distrital de Setúbal da Comissão Democrática Eleitoral (CDE). É preso novamente no rescaldo do 1.º de Maio de 1970, na cadeia da PIDE no Porto e em Caxias. Julgado no Tribunal Plenário de Lisboa, foi absolvido, mas é despedido do Hospital da CUF.
Em 1970, José Afonso dedicou-lhe o poema “Por Trás Daquela Janela”, editado em 1972 no disco Eu Vou Ser Como a Toupeira. Alfredo Matos fez parte dos corpos gerentes do Cineclube do Barreiro, em 1971 e 1972. Em 1973, entra para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e participa na preparação do III Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, onde apresenta a tese “Situação e Perspectivas dos Trabalhadores do Distrito de Setúbal”. Nesse ano, foi também candidato da CDE e nos meses finais da ditadura participa em várias reuniões da Intersindical. Após o 25 de Abril de 1974, integrou a comissão administrativa que dirigiu a Câmara Municipal do Barreiro. Foi ainda membro da Assembleia Municipal e vereador da autarquia. Entre 1975 e 1979 foi adjunto do secretariado da Intersindical.
José Pedro Correia Soares nasceu em Cachoeiras, Vila Franca de Xira, a 14 de março de 1950.
Começou a trabalhar ainda jovem como tipógrafo. Entrou para o Partido Comunista Português (PCP) em 1969, integrando a célula nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA). Foi o responsável pelas células clandestinas nas empresas do Baixo Ribatejo. Envolvido no movimento democrático eleitoral, na organização de jovens trabalhadores e na contestação à guerra colonial, foi preso, após uma denúncia, em 1971. Encarcerado em Caxias, fica em isolamento cerca de dois meses e meio. Foi violentamente espancado, socado pelo próprio diretor da cadeia, sofreu três dias de estátua e, recusando-se a comer, foi forçada a introdução de um tubo no estômago para alimentação. Seguir-se-iam mais seis dias e seis noites de tortura do sono e novas sessões de espancamento, nomeadamente com “cavalo-marinho” e chicote de tiras de cabedal entrançado. No total, sofreu 21 dias de tortura do sono, com uma interrupção ao fim de oito dias, e 820 horas de interrogatório.
José Pedro Soares foi alvo de uma campanha de solidariedade nacional e internacional, nomeadamente da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e da Amnistia Internacional. Foi condenado a três anos e meio de prisão em Peniche.
Libertado a 27 de abril de 1974, foi um dos responsáveis pelo sector da Juventude Trabalhadora e foi eleito membro da Comissão Central da União da Juventude Comunista e do seu executivo. Foi deputado do PCP à Assembleia Constituinte. Tem-se dedicado à atividade editorial e destacado no campo da memória histórica, sendo dirigente da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).
Data de Recolha: 17.02.2016
Palavras – Chave: MUD juvenil, PCP, Movimento associativo, Prisão do Aljube, Interrogatórios, Tortura, Caxias, PIDE, Solidariedade, CNSPP – Comissão Nacional de Socorro ao Preso Político, Peniche, Preservação da Memória, Julgamentos pós 25 de Abril.