Ana Patrício e Francisco Adolfo Gomes

Nome: Ana Patrício e Francisco Adolfo Gomes

Biografia

Ana Patrício é filha do anarquista Manuel Patrício, mineiro de Aljustrel, líder sindical, fundador do Sindicato Mineiro de Aljustrel e importante impulsionador de várias lutas e greves mineiras. Também o avô, o irmão e o tio foram mineiros. Este último era Valentim Adolfo João, também ele anarquista e fundador do Sindicato Mineiro, preso pela PVDE/PIDE e exilado em Espanha. Pai e tio tinham sido presos em 1927 por dinamizarem as lutas nas minas de São Domingos.

Ana Patrício dedica-se ao estudo da história e das lutas dos mineiros de Aljustrel e de São Domingos, que se cruzam com a história da família. É autora de Mineiros de Aljustrel, Acervo Documental de sua Organização e Luta (volume 1 e 2) e de Arquivo do meu pensamento: recordações de um mineiro, em que transcreve o testemunho do pai. No Museu do Aljube contou a história de pai e tio e partilhou as suas memórias diretas sobre as lutas e as condições de vida e de trabalho dos mineiros de Aljustrel e São Domingos.

Aos 15 anos tornou-se funcionária da Cooperativa de Consumo dos Operário Mineiros de Aljustrel. Fundou uma escola, foi professora, foi empregada de escritório, fez o curso geral de Comércio e, depois, de Economia. Foi militante do Partido Comunista Português (PCP) e membro do Coro Lopes Graça.

Francisco Adolfo Gomes é filho de Valentim Adolfo João, mineiro anarquista e dirigente sindical, figura central das lutas nas minas de Aljustrel e de São Domingos. O pai esteve exilado entre 1932 e 1938 em Espanha, de onde Francisco é trazido, clandestinamente, para nascer em Portugal, regressando de imediato a Espanha onde é registado e batizado. Acompanhará, depois, a mãe e o pai que se instalam em Setúbal, mantendo-se na clandestinidade. Tal como o pai, usava um nome falso. Indocumentado, não pôde, por isso, frequentar a escola até aos 17 anos, idade com que foi finalmente registado com o nome verdadeiro.

O pai e o tio, Manuel Patrício, são presos em 1927. Mais tarde, o pai seria acusado de envolvimento no atentado contra Salazar em 1937 e preso em Setúbal em 1949, passando pelas cadeias do Aljube e Peniche, até ser libertado em 1964, com a saúde muito debilitada.  

Francisco Adolfo Gomes esteve no Museu do Aljube para falar da história de pai e tio e partilhar as suas memórias diretas das lutas e condições de vida e de trabalho dos mineiros de Aljustrel e São Domingos.

Data de Recolha: 17.05.2017

Palavras-chave: Mineiros de Aljustrel, Família, Sindicatos, Clandestinidade, Prisão, Peniche, Mulheres, Luta de Classe.

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